Londres | 01

Desde pequeno, eu sou apaixonado por viajar. Minha família sempre gostou muito de conhecer lugares diferentes e acho que também aprendi isso com eles. 

Normalmente não costumamos sair para comer fora aos finais de semana ou trocar a coleção de roupas do armário com tanta frequência mas viajar é um hábito que tenho bastante sorte de poder desfrutar e manter. Essa quebra de rotina é um dos modos que mais me ajuda a matar curiosidades, sobretudo a entender como as pessoas funcionam. A forma que cada lugar arranjou pra se organizar é algo que muito me encanta.

 

/ Fim de Tarde na London City Hall

/ Fim de Tarde na London City Hall

 

No último mês de Julho passei alguns dias em Londres.  

Vou compartilhar aqui, pouco a pouco, alguns pontos que mais me chamaram a atenção.

01 | Pessoas

02 | Transporte

03 | Espaços e Estruturas

04 | Museus

 

Qualquer cidade não-verticalizada já é por si só uma realidade muito diferente do que vivemos aqui em São Paulo. Poder andar pela cidade e enxergar o céu é um dos itens que eu julgo ser de extrema importância para que criemos cidades para pessoas. Precisamos cada vez mais de lugares que pensem no estilo de vida que querem oferecer para seus cidadãos, e não se sentir aprisionado em meio a tantos edifícios, dá uma tremenda liberdade aos nossos olhos e à cabeça.

Adianto que Londres me pareceu atingir essa expectativa que tenho de garantir a melhor qualidade de vida para seus moradores. Os londrinos tem sorte de viver numa cidade em que há parques distribuídos por toda sua extensão; de terem alternativas de transporte eficientes para se deslocar mesmo para as áreas mais afastadas do centro; e de usufruir de uma estrutura urbana que estimula as pessoas a serem menos sedentárias, a interagir mais umas com as outras, e que - como consequência por incentivar mais pessoas a irem às ruas - oferece segurança aos seus cidadãos, como ensina Jane Jacobs.
 

Os espaços não precisam ter bancos luxuosos ou mesas para se sentar. Em qualquer lugar do mundo  as pessoas gostam de ter contato direto com a natureza. Eu pessoalmente me sinto muito confortável sentando na grama para piquenique ou conversar com os amigos. - Regents Park

Os espaços não precisam ter bancos luxuosos ou mesas para se sentar. Em qualquer lugar do mundo  as pessoas gostam de ter contato direto com a natureza. Eu pessoalmente me sinto muito confortável sentando na grama para piquenique ou conversar com os amigos.
- Regents Park

Cidades grandes costumam atrair gente de tudo o que é tipo. Londres, não é em nenhum momento diferente nesse aspecto. Embora tenha visitado a cidade durante o mês internacional das férias, duvido que o público seja menos sortido ao longo do resto do ano.

Fiquei hospedado próximo à Edgware Road, que assim como muitas outras avenidas da cidade, é um ponto de grande circulação de islâmicos. Em qualquer restaurante que se passa nessas avenidas, é uma cena típica ver turistas e locais tragando narguiles e experimentando comidas orientais típicas.

Aliás, aqui fica uma dica: se você for visitar a cidade não tenha medo de entrar em restaurantes étnicos. Eles costumam ser mais baratos que a média dos demais e também oferecem pratos muito bons, e são uma ótima opção para quando você se cansar de pedir seus  Fish and Chips.

 

Por passar boa parte do ano com o tempo nublado, os Londrinos definitivamente sabem ocupar o espaço público e aproveitar o sol. / Tudor Style Structure - Soho Square Garden

Por passar boa parte do ano com o tempo nublado, os Londrinos definitivamente sabem ocupar o espaço público e aproveitar o sol.
/ Tudor Style Structure - Soho Square Garden

A cada nova rua, parece haver uma nova proposta para as pessoas. A organização espacial é determinante na interação que as pessoas tem com o lugar que elas vivem. As fotos abaixo mostram um pouco disso: no meio de uma rua comum, próxima ao Tâmisa, há um espaço aberto - público - em que famílias aproveitavam o dia todo por lá mesmo, na rua. Esse espaço é próximo a restaurantes relativamente finos, o que permite que a família almoce e deixe os filhos brincando com água que escapa do chão durante a tarde.

Londres parece criar sozinha roteiros para as pessoas seguirem. Se você ainda não decidiu o que irá fazer hoje, pode pegar o metrô para qualquer estação e te garanto que descobrirá um programa diferente pra fazer. E provavelmente não estará sozinho: tem sempre muita gente interessada em descobrir a cidade em conjunto.

 

Esse senso de comunidade que os londrinos tem é bastante importante para a manutenção do lugar em que eles vivem. Por exemplo: desde que cheguei no aeroporto, ao andar pro hotel percebi o quanto o chão da cidade é limpo. Não se vê tanto papel ou pontas de cigarro jogadas na rua. E considerando que lixeiras nas ruas são raridade, é de se surpreender que não haja tanta porcaria colada no chão.

Rapaz na bicicleta joga garrafa em uma das - raríssimas - lixeiras. Contei rapidamente algo em torno de uma lixeira a cada dois quarteirões andados.

Rapaz na bicicleta joga garrafa em uma das - raríssimas - lixeiras. Contei rapidamente algo em torno de uma lixeira a cada dois quarteirões andados.