Londres | 02

 
Andar a pé talvez seja o melhor meio de transporte para uma cidade plana como Londres. No entanto, a ótima malha de serviços de transporte - sobretudo público - precisava de um review à parte.

Andar a pé talvez seja o melhor meio de transporte para uma cidade plana como Londres. No entanto, a ótima malha de serviços de transporte - sobretudo público - precisava de um review à parte.

 
Esse é o segundo capítulo de uma série de quatro pontos que analisei sobre Londres. Você pode conferir os outros textos abaixo:

01 | Pessoas

02 | Transporte

03 | Espaços e Estruturas

04 | Museus

 


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Não consigo imaginar outra forma de começar a falar sobre transporte se não retomar, ainda que rapidamente, um pouco de história. Detalharei essa narrativa mais pra frente, mas por ora, isso é o que é importante saber:

Londres, berço da Revolução Industrial, cresceu vertiginosamente entre os séculos XVIII e XIX. Para lidar com uma massa de trabalhadores tão volumosa a cidade teve de se estruturar para criar um sistema de transporte que fosse eficiente e que atendesse esses novos grupos sociais - sobretudo os trabalhadores industriais - que mudariam a forma de produção e consumo de toda a sociedade. Se você quiser saber mais sobre essa história, eu vou falar um pouco mais sobre ela aqui, em breve, quando falar sobre o Museu do Transporte.

Neste post, entretanto, pretendo fazer um rápido panorama sobre o transporte público Londrino, mas para isso, retomemos meu ponto de partida: Heathrow. 

Heathrow

O Aeroporto Internacional de Heathrow é um dos mais famosos do mundo, e agora encabeça também uma lista mental minha que reúne os aeroportos mais bem sinalizados que já visitei - vale contar que a nova comunicação visual e sinalização do Aeroporto Internacional de Guarulhos, GRU, aqui em São Paulo também faz parte desse grupo.


Fora a limpeza visual e o ótimo fluxo de pessoas que um bom serviço de indicação pode oferecer, o aeroporto como espaço físico é memorável. Confesso que não passei muito tempo nele, e vejo isso como uma coisa boa. Me pareceu bem organizado, e o que é mais importante aqui: ele se integra muito bem com os diferentes meios públicos de transporte. Sobretudo com o metrô, com integração à linha Piccadilly. Quando cheguei ainda não sabia disso, e tomei a atitude que tomaria aqui no Brasil: tomei um táxi.


 

Taxi

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O táxi londrino é um veículo feito especialmente para... Londres, é claro. E é justamente por isso que ele possui alguns detalhes que o tornam o melhor taxi para as ruas da capital, seja ajudando motoristas com sua facilidade de manobra ou garantindo aos passageiros o maior conforto possível. No entanto, os TX4 - modelo do veículo - tornam-se realmente vantajosos por necessitarem de baixa manutenção. Além disso, os materiais do interior me pareceram bastante resistentes a turistas cheios de bagagem ou ao vai-e-vem de sapatos molhados - como conspira o clima da cidade.

 

Não sabia como o transporte público funcionava, e por ter chegado carregando malas, decidi tomar um táxi para o hotel. O primeiro erro ao me transportar em Londres: usar o taxi, acreditando ser tão acessível quanto vemos nos filmes. Se aqui a viagem ao aeroporto costuma beirar os 70 reais, imagine lá o mesmo valor, só que em libras. 

Depois do passeio de táxi mais caro da minha vida, cheguei rapidamente a conclusão de que precisava de um cartão de transporte que me permitisse andar pra qualquer por um preço mais acessível.


- É o meio de transporte mais caro que se pode utilizar em Londres.

configuração do espaço interno de um taxi londrino é algo que vale a pena conferir nem que seja uma única vez ao longo da viagem. Eles são produzidos por uma empresa indiana e tem um aproveitamento interno excelente. São perfeitos para transportar pessoas e malas dentro de um mesmo espaço, já que ele não tem porta-malas. Outra carta na manga são os bancos dobráveis que ficam escondidos nas costas do banco do motorista e do passageiro dianteiro . 

Dica: Usar somente em caso de real necessidade. As ruas da cidade não tem muito desnível, o que facilita o deslocamento a pé. 

 


 

Oyster Card

 

Ainda no primeiro dia, entrei na estação do metrô mais próxima do hotel e sem muito esforço descobri que o que eu precisava era de um Oyster card - havia indicação em todo lugar. Ok, simples. Me dirigi a uma área que acomodava uma série de máquinas na estação em que eu poderia comprar o meu bilhete. Sem quebrar muito a cabeça, eu tentei entender como prosseguir tocando a tela da máquina para comprar o cartão. Eu sabia que iria precisar o cartão pelo menos para uma semana, e assim comprei pra essa duração de tempo. Ainda um pouco assustado com o valor que tinha pago no cartão, passei no leitor e a catraca não foi liberada, lançando uma mensagem na tela sugerindo que eu contatasse a bilheteria.

 

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Nesse momento eu descobri que a máquina, que não explicava corretamente a distinção entre os cartões havia me levado a comprar um cartão sem direito ao Underground (metrô), mas que funcionava apenas para ônibus e trens. Mais 10 libras gastas por causa de um sistema que não sabe conversar com pessoas e tive acesso ao metrô mais antigo do mundo.

-  O transporte é bastante caro. Supera cidades como São Paulo e outras capitais européias (Paris, Berlim, etc.) 

Atingindo a marca de 7 libras ele para de descontar do seu crédito naquele dia - cada viagem custa entre 2 a 3 libras - o que é bastante interessante quando você é um turista que pretende integrar se itinerário com diferentes tipos de transporte.


Dica:  
apesar de caro, o Oyster card é a melhor opção pra quem pretende se deslocar na cidade com frequência. A melhor dica é: Se for usar até 4 ou 5 dias, provavelmente vai valer a pena comprar o bilhete individual de viagem, que pode ser para o dia todo, ou colocar crédito no seu Oyster selecionando a opção pay as you go. Se for usar 7 dias seguidos, compre para a semana e use metrô e ônibus à vontade.

Achei curiosa a semelhança de marca e paleta entre o Oyster Card e a água Crystal.

Achei curiosa a semelhança de marca e paleta entre o Oyster Card e a água Crystal.


 

The Tube: London Underground

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A primeira coisa surpreendente do metrô é o fato de que ele chega em qualquer lugar. Nas regiões mais centrais da cidade ele chega a ter uma estação a até quatro quadras umas das outras. Nas áreas mais afastadas, ele chega onde realmente há necessidade, passando por todas as estações de trem da cidade. Usando o Oyster card também fica fácil integrar esse transporte com um ônibus, mas acredite: você provavelmente não vai precisar.


Esse tipo de coisa, facilita muito tanto para quem mora na cidade quanto para turistas. Para mim, por exemplo, que gosto muito de me aventurar nas cidades a pé - dessa vez cheguei a uma média de 9-10km por dia - ter um metrô a cada, sei lá, no máximo 5 quadras é uma mão na roda, já que você sabe que sempre pode andar mais um pouco e voltar pra casa/hotel facilmente.

 

 
 



Para comemorar os 150 anos da existência do Tubo, algumas estações contavam com alguns cartazes especiais, uma série de labirintos e até o mapa do metrô feito em Lego em algumas delas. Em muitas das estações, há algum item de ornamento/ decoração que remete à história ou a cultura daquela região da capital.

 

São pequenos atrativos que fazem de um local de passagem, uma pequena galeria ou ponto turístico - uma característica em comum  com algumas estações do Metrô de São Paulo que muito me agrada.


-  A essa altura você provavelmente já vai ter entendido e começado a ignorar o fato de que qualquer transporte aqui é caro. Um problema muito grande que é maior em algumas estações e menor em outras: o espaço entre a plataforma e os trens. Do mind the gap, please. Cabe tranquilamente um pé ou até uma perna entre o vão que é criado em alguns locais. Cheguei a pegar duas vezes o horário de pico, e embora os vagões fiquem realmente lotados, ainda perdem feio pra nossa Linha Vermelha no final de tarde. Ah! E os trens foram claramente projetados para o frio. A maioria das linhas não possui sistema de ventilação - pelo menos nenhum que seja suficiente para as duas semanas de calor.

+   Estações que contam histórias; músicos de alta qualidade tocando nas estações; 

Dica: Nos dias mais quentes, fique próximo às portas de comunicação entre um trem e outro. É o melhor lugar pra curtir um vento na cara e refrescar um pouco. 

 
 

 

Ônibus

O novo modelo de ônibus em desfile.

O novo modelo de ônibus em desfile.

Em muitas cidades eu acho que vale a pena fazer um passeio de sight-seeing, antes de visitar de verdade os lugares. Em Londres eu não fiz isso e achei que valeu muito a pena. Talvez pelo próprio fato de ter transporte fácil em qualquer lugar, acredito que valha mais a pena traçar os pontos principais que você quiser conhecer e gastar um bom tempo para conhecê-los direito.

A traseira do novo ônibus: Uma faixa de vidro que acompanha o passageiro ao subir a escada para o deck superior.

A traseira do novo ônibus: Uma faixa de vidro que acompanha o passageiro ao subir a escada para o deck superior.

De ônibus é fácil e bonito conhecer a cidade. Minha dica aqui é a de pegar o ônibus e viajar no andar superior, nos primeiros assentos: assim, acho que vai ser fácil para você identificar um lugar diferente que nenhum mapa/ roteiro tinha te indicado antes e descer quando quiser. Não sei como será essa experiência em um dia de frio ou de chuva, mas os dias de sol que peguei contribuíram para que essa experiência fosse realizável - e prazerosa, é claro.



Andar a Pé

 

 Meu transporte favorito. Claro que ninguém é de ferro e Londres conta com uma super estrutura de meios de transporte caso você esteja com pressa para o trabalho ou simplesmente não queira congelar na rua durante o inverno. Mas enquanto turista, acho bastante interessante caminhar para conhecer o lugar. Até nesse ponto a cidade favorece o pedestre: As calçadas das avenidas são largas e há parques e praças por todos os cantos. 

Sinalização indicando o lado 

Sinalização indicando o lado 


Porém, talvez você demore um pouco para se acostumar a atravessar a rua e olhar para o lado certo. Infelizmente, só há plaquinhas indicando o lado para olhar, quando a mão da rua é invertida - do nosso jeito.

Para quem gosta de design da mobilidade, o RCA - Royal College of Arts parece dominar dentre as faculdades que tem curso de projeto de transportes/automobilístico, com direito a exposição de trabalhos de alunos inclusive no Museu do Transporte, que pretendo fazer um review em breve.

Conclusão: Se transportar na cidade é fácil e é rápido. Você não vai perder muito tempo lendo um totem ou placa no ponto de ônibus nem nenhuma sinalização de metrô. Há taxis em todos os lugares, e é claro, as pessoas continuam usando carro para se transportar, mas acho que se eu pudesse morar por algum tempo lá, escolheria a bicicleta como meio de transporte. Infelizmente não tive chance de pedalar, e por isso não analiso aqui, mas acredito que seja o transporte que mais valha a pena - principalmente quando lembramos que carregamos o Oyster em libras.