Fresh Start


 

Aqui na Central Saint Martins as coisas funcionam um pouco diferente do que eu estava acostumado no Brasil. Ficam as primeiras impressões e um resumo de como funcionou a primeira unidade do projeto.

 

 

Organização

A primeira grande diferença entre os cursos é o tamanho da nossa turma. Aqui somos aproximadamente 100 alunos com idades e backgrounds bem diferentes. Tem gente na minha sala de todo canto do mundo e com níveis muito diferentes de referência e noção de projeto. Acho que mesmo no começo do nosso curso na FAU não era tão discrepante essa variedade. Isso, no entanto, não atrapalha o acompanhamento do desenvolvimento individual de cada aluno: neste projeto fomos divididos em grupos de 8 pessoas durante a fase de pesquisa. Com a pesquisa terminada, cada um seguiu seu caminho com projetos diferentes, mas com reuniões semanais junto ao nosso tutor para feedback e trocar conhecimento aprendido durante esses curtos períodos de tempo.

 

Agenda

Fazer um curso integral foi uma ótima experiência até agora. Embora eu passe muito mais tempo na faculdade o dia parece fluir e render muito melhor. No entanto isso não significa que temos mais tempo de aulas - pelo menos não da forma que temos no Brasil - o fundamental parece girar em torno de algumas poucas palestras, workshops rápidos, desenvolvimento individual e feedback. É um ciclo que cabe direitinho dos 7 dias da semana e cabe a cada um saber o quanto está disposto a entregar pro seu projeto sair.

 

 
 
 
 

 

Essas atividades acabam se dividindo em cada dia da semana, criando algo quase como uma rotina - só que bem mais flexível. No geral, as aulas ficavam dispostas da seguinte forma:


Segundas e terças eram provavelmente os únicos dias que via minha turma toda. A segunda sempre começava com um "acordo" da agenda da semana, assim ficava mais claro o que íamos ter em cada dia. Fez bastante sentido perder as manhãs pra gerenciar o tempo de trabalho e saber até onde deveríamos levar o projeto até o final da semana. Da tarde de segunda até a terça feira, tivemos alguns workshops nos dando as ferramentas necessárias pro desenvolvimento do projeto. Esses workshops passaram por coisas bem diferentes como fazer modelos de blue-foam, desmontar e identificar materiais e processos de fabricação de produtos existentes, conversas sobre materiais e linguagem estética de produtos e etc. De uma forma rápida, cobrimos ao longo de um mês algumas das principais ferramentas que um bom designer deveria utilizar em todo projeto.

Ao final da terça-feira, vinha minha parte favorita da semana, o Designer Profiles. Aqui, sempre vinha algum designer de fora contar sobre a experiência que teve ao longo da carreira. Quase todas as palestras que fui foram muito valiosas e eu saía sentindo que tinha realmente aprendido alguma coisa. Essas é a única parte da semana que deve se manter constantemente até o final do curso e é realmente o melhor espaço pra descobrir novos estúdios e áreas pra trabalhar - e claro, fazer contatos profissionais.

 

Nas quartas-feiras geralmente pegava o dia todo para desenvolver o projeto. Esse dia eu geralmente passava inteiramente na faculdade, na biblioteca pesquisando e desenvolvendo o conceito e alguns dias havia aulas complementares de modelagem 3d. 

 
No final de cada semana cada grupo sentava junto ao seu tutor e cada um apresentava o que havia desenvolvido nos últimos dias. 

No final de cada semana cada grupo sentava junto ao seu tutor e cada um apresentava o que havia desenvolvido nos últimos dias. 

 

 

Quintas e sextas eram os dias de mostrar o andamento do projeto para nosso tutor e os outros colegas do grupo menor em que fomos divididos. É legal ter mais gente pra compartilhar experiências aprendidas e ouvir novas ideias de gente de fora. Também é uma ótima oportunidade de aprender a ser mais pontual na hora de apresentar.

 

 
 

O que eu aprendi até agora:

Projeto pessoal não significa projetar sozinho.

Talvez esse tenha sido o grande aprendizado até agora. Quando começamos esse primeiro projeto eu não sabia como ele iria fluir. Na FAU nunca fazemos projetos individuais e é normal acabar delegando algumas tarefas pra juntar no projeto final. Por isso, desde que cheguei aprendi várias coisas do melhor|pior jeito: quebrando a cabeça. Isso aconteceu tanto pelo nível de detalhamento do projeto, que é muito maior Isso, quanto pelo volume de trabalho semanal que era muito mais intenso do que estou acostumado. No entanto isso não significou que eu trabalhei inteiramente sozinho: semanalmente apresentávamos o desenvolvimento do projeto aos colegas que tinham o mesmo tema e recebíamos feedback uns dos outros e dos professores. Também tive a sorte de conhecer pessoas com bom gosto e noção de projeto aqui na casa nova e tudo isso contribuiu positivamente para o produto final.

Sketch, sketch, sketch.

E isso não quer dizer só desenho. O mais encorajado durante todo o tempo foi fazer os sketch-models. Modelos bem porcamente feitos pra testar interações, formas, texturas e todas os detalhes do produto. Eu realmente nunca produzi tanto em tão pouco tempo. 

Reuniões em pé e gerenciamento de tempo.

Quando se está num ritmo de projeto tão intenso é difícil arranjar tempo pra conversar e dar um feedback pra todas as pessoas que aparecem pra conversar sobre seus respectivos projetos. Conversar com alguém enquanto você se locomove até algum outro lugar do prédio ou até mesmo em casa até agora tem sido um bom jeito de evitar longas (mesmo que produtivas) conversas. Eu sou do tipo que se empolga facilmente com projetos dos outros e gosto de sentar pra desenvolver outros projetos simultaneamente, mas ultimamente tenho tentado manter o foco e aprender a dizer não em alguns momentos. Conversar em pé tem me ajudado bastante nesse período de transição.